“A qualidade da água do rio Paraopeba está “péssima”, e não pode ser usada para nada”, Malu Ribeiro (SOS- Mata Atlântica)

by itlabs
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É preciso aprender com os desastres, essa avaliação unanime é dos especialistas que participaram da audiência pública promovida pela Comissão Externa que investiga a tragédia de Brumadinho, nesta quarta-feira (27) na Câmara dos Deputados.

Segundo a Coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, dos 22 pontos coletados, 12 estão com a qualidade de água “péssima”, e não pode ser usada para nada; dez estão com qualidade de água ruim,
conforme o – Índice de Qualidade da água (IQA).Resultado do trabalho realizado pela expedição SOS Mata Atlântica.

“O único uso possível é em hidrelétrica, para geração de energia, que depende da movimentação do rio, 305 quilômetros do Rio Paraopeba revelou que não há condições de vida aquática no trecho”, explica Malu

O laudo aponta que metais pesados, como manganês, cobre e cromo, foram encontrados em níveis acima dos limites máximos fixados na legislação. “O contato com a água contaminada pode causar náuseas, rigidez muscular, tremores e fraqueza. A lama destruiu 112 hectares de florestas nativas”, disse a especialistas  que participou da expedição  no Rio Paraopeba, no centro de Brumadinho

“Quando olhamos para o rio e vimos essa cor, que parece cor de sangue seco, o que a nossa equipe técnica fez foi entender esse rio como realmente sangue. Ela fez um exame como o que fazemos quando queremos saber se estamos doentes. A primeira coisa que o médico nos pede para fazer é o quê? É o exame de sangue. Então, para saber a saúde dos Municípios, a saúde dessa região e a nossa capacidade de sustentabilidade em recuperar ou não essa região, fizemos o exame de sangue, exame no Rio Paraopeba”, disse Malu

O Presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos, Adilson Pinheiro destacou que, além dos processos que normalmente acontecem é indispensável uma auditoria externa independente, que necessariamente não tenha nenhuma ligação com o empreendedor. “Vários outros segmentos têm auditorias completamente independentes, que podem identificar determinados vícios ou determinados comportamentos que para as equipes que estão desenvolvendo o trabalho, não foram claramente posicionados. Isso não quer dizer que ela resolveria todos os problemas, mas que minimizaria um pouco o problema da gestão de risco que acontece”, destacou.

Disse ainda, que é preciso aprender com os desastres: “Por que aconteceu esse desastre? Quais foram os pontos falhos?” Na situação atual, por exemplo, em relação ao evento em Mariana.” Nós não aprendemos com as falhas, tecnicamente nós tivemos muita dificuldade em aprender, porque a maioria das ações tornou sigilosos os documentos, ou seja, a comunidade técnico-científica não está conseguindo acessar as informações para aprender com os erros e minimizar as fragilidades que existem nas estruturas. Então, um ponto importante a ser considerado em relação a esses desastres é que a comunidade técnica precisa saber onde se falhou”, disse Adilson Pinheiro

O Coordenador de Fiscalização de Serviços Públicos e Segurança de Barragens da Agência Nacional das Águas, Josimar Alves de Oliveira apresentou números de relatórios de segurança de barragens, elaborado pela Agência(ANA), que consolida as informações repassadas pelos Estados. As informações que a ANA publica foram preparadas e enviadas pelos órgãos fiscalizadores estaduais. Nesse papel, que é previsto na legislação, a ANA consolida essas informações, elabora um relatório e o submete à apreciação do Conselho Nacional de Recursos Hídricos — CNRH. Hoje, no Brasil, há cerca de 20 mil barragens identificadas. “Nem todas as barragens enquadram-se na lei, altura, volume, dano ou resíduos perigosos”, disse.

O relatório de 2017 aponta que 4.500 barragens estão identificadas hoje.” Ano a ano esse relatório é refeito, e essas informações são melhoradas. Estamos falando de cerca de 4.500 barragens, 30% das quais têm plano de segurança. O número exato está ali no quadro: 1220, segundo o último relatório de segurança de barragens da ANA, têm plano de segurança; 765 têm plano de ação de emergência. Este número é menor porque nem toda barragem precisa de plano de ação de emergência”, explicou. 

Projeto de Barragens 

O deputado Zé Silva, coordenador da Comissão explicou que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, acatou as propostas aprovadas pela Comissão, que encerrará as audiências públicas temáticas no dia 28. “Assim que a Consultoria consolidar e apensar os mais de 106 projetos sobre barragens no Brasil, em torno de 8 eixos o presidente colocará na pauta. A nossa expectativa é que isso ocorra na terceira semana do mês de abril. E, aí, teremos um novo arcabouço legal acerca das barragens no Brasil. É importante ressaltar que foi criada uma Comissão Especial na Casa e que é necessário respeitar a proporcionalidade partidária. Mas, ela tem um objetivo específico”, disse o deputado Zé Silva. 

Zé Silva explicou que o presidente está acompanhando os trabalhos da Comissão.” Colocou-se à disposição apoiando o deslocamento de todos os palestrantes que participam aqui das audiências públicas. Essa era uma limitação que nós estávamos tendo e que, a partir de agora, não temos”, explicou Zé Silva. 

CPMI

A investigação da tragédia de Brumadinho terá suporte com a criação Comissão, portanto mesmo após o posicionamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre a não criação da CPMI de Brumadinho, nós continuaremos trabalhando para dar agilidade a esse processo. “Os interesses pessoais sobrepõem os interesses republicanos, por isso a ausência da CPMI causará uma grande lacuna nas investigações”, conclui Zé Silva.

Agenda da Comissão

Audiência Pública
Data: 12 de março – Plenário 2 – 13h30

Tema:” Sistemas de monitoramento”
Convidados:

  1. Responsável pelo setor de monitoramento de barragens da Vale
  2. Representante da MDA Corporation;
  3. Representante da Telespazio;
  4. Representante da Airbus.

Conheça os trabalhos da Comissão: encurtador.com.br/dotR8

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