Agricultura familiar: uma agenda necessária

by itlabs
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Silva (*)

Mesmo com as festividades de fim de ano que se aproximam, quando há uma pausa  natural para reflexões e balanços de trabalhos realizados, precisamos aprofundar os debates de diversas questões que vimos tratando no Congresso Nacional a respeito do desenvolvimento rural, sobretudo os processos para o fortalecimento da agricultura familiar.

Os leitores que nos dão a honra de acompanhar semanalmente neste espaço nossas abordagens sobre as oportunidades, realizações e desafios do campo sabem que o equilíbrio e a grandeza da macroeconomia brasileira passa pelo fortalecimento do desenvolvimento rural sustentável.

A agricultura familiar, essencial para a segurança alimentar, a geração de renda e postos de trabalho no meio rural, precisa estar fortalecida em seus fundamentos de sustentabilidade, para que outros segmentos do agronegócio possam realizar melhor suas outras vocações econômicas, inclusive a de produzir para exportação, gerando divisas.

Portanto, é nesse sentido que devemos recolocar na agenda do Congresso Nacional, com a devida intensidade e urgência, temas fundamentais para esse fortalecimento e consolidação das bases de sustentabilidade para o desenvolvimento rural. Inclusive com abordagens para projetos mais estruturantes, mas que dizem respeito ao campo.

Por exemplo, conforme as conclusões a que chegaram cerca de 20 países em reunião do fórum Plataforma para o Futuro, realizado em São Paulo no mês passado, de que é necessário duplicar a participação do uso da bioenergia no consumo global até 2030, para que se cumpram os acordos sobre clima da COP 21 em Paris, na qual o Brasil firmou grandes compromissos que passam por arranjos e intervenções estruturais no ambiente rural.

Dessa forma, e mais especificamente para o fortalecimento da agricultura familiar, precisamos focar numa agenda que contemple as questões mais urgentes do desenvolvimento rural sustentável.  Para citar apenas dois temas, a reversão de possíveis cortes nos recursos para os serviços de assistência técnica e extensão rural, em programas para a agricultura familiar, e a gravíssima crise hídrica que impacta a todos, campo e cidades, mas afeta de um modo dramático as famílias rurais, pois dependem desses recursos para viver e trabalhar, são exemplos de questões com urgência de imediata abordagem e encaminhamento de soluções.

Enfim, não podemos ficar numa toada de uma nota só. Questões urgentes para a nossa economia, a começar de suas bases, onde está a agricultura familiar e suas fundamentais contribuições para população brasileira, precisam constar da agenda de retomada do desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida em nosso País.

 

 

 

 

 

(*) Zé Silva é agrônomo, extensionista rural,

deputado federal pelo Solidariedade/MG

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