Agroindústria: destravando a Legislação

by itlabs
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Zé Silva (*)
Uma de nossas bandeiras com o trabalho parlamentar é contribuir, sobretudo no
âmbito da legislação agroindustrial, para que a agricultura familiar tenha reais condições de
avançar e ocupar mais celeremente as diversas etapas da cadeia produtiva de alimentos.
O queijo minas artesanal, um símbolo de nossa agroindústria familiar e da cultura de
Minas, só recentemente “foi libertado” das amarras de uma legislação que remonta ao final
da Segunda Guerra, em 1952. Depois de uma longa luta de mobilização, reunindo
produtores, técnicos, consumidores e ações parlamentares que tivemos a honra de liderar
no Congresso Nacional, finalmente o queijo minas artesanal pode ocupar livremente todos
os mercados.
E os recentes prêmios que esses produtos mineiros conquistaram na França, país
reconhecido mundialmente também pela excelência de sua agroindústria artesanal, são
exemplos de sua aceitação e reconhecimento pelos mercados consumidores mais exigentes.
E principalmente revelam as oportunidades reservadas a nossa agroindústria familiar.
Mas quero ressaltar nesse momento mais um sucesso e exemplo da capacidade
empreendedora da agricultura familiar quando avança para a agroindustrialização e
ocupação de mercados para os seus produtos. Falamos de uma agroindústria conduzida por
agricultores familiares do estado da Paraíba, no município de São Sebastião de Lagoa de
Roça, a pouco mais de 100 km de João Pessoa.
A história começou com apenas 20 agricultores familiares, que criavam frangos
caipiras. Decididos a avançar na cadeia produtiva, criaram uma cooperativa e, com recursos
do Pronaf, uma politica de crédito para a agricultura familiar, construíram um abatedouro e
assumiram os processos industriais e de comercialização. Hoje, são cerca de 160 famílias
tocando esses processos e, com a participação de associações de agricultores familiares de
outros 22 municípios da região, estão processando e comercializando seis mil aves/dia.
Por enquanto essa comercialização se restringe aos mercados institucionais, por
meio de programas da SEAD – Secretaria de Desenvolvimento Agrário, como o PPA –
Programa de Aquisição de Alimentos e o Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE.
Mas já se preparam para ocupar os supermercados do Nordeste ainda este ano,
completando um ciclo fundamental para o desenvolvimento rural sustentável.
Continuamos determinados nesses esforços para a agricultura avançar na cadeia
produtiva, sobretudo nos processos de agroindustrialização. Isso significa produtos de
qualidade para os consumidores, geração de renda e trabalho, e mais oportunidades para
empreendedores do meio rural.

(*) Zé Silva é agrônomo, extensionista rural,
deputado federal pelo Solidariedade/MG

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