Algumas questões sobre a agricultura familiar

by itlabs
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Opinião

 

Zé Silva*

Na condição de coordenador da Comissão de Agricultura Familiar da Frente Parlamentar de Agropecuária, temos promovido na Câmara Federal diálogos e reuniões com entidades do setor rural para a construção da pauta de trabalho nessa importante comissão para a agricultura familiar.

Queremos debater e tratar com mais profundidades questões fundamentais para a sustentabilidade desse setor. Mudanças e transformações ocorrem com celeridade nos dias atuais e é preciso revisitar conceitos, dinâmicas e processos que possam contribuir para o fortalecimento da agricultura familiar e dos demais setores que atuam na economia rural.

Com esses objetivos, organizamos e realizamos no começo deste mês, na Câmara, uma reunião para tratar de questões como a necessidade de modernização do conceito de agricultura familiar, das formas de financiamento e sustentação dos serviços de assistência técnica e extensão rural, e do fortalecimento de programas para a certificação, geração de renda, fomento e condições de acesso à terra para trabalhadores e agricultores familiares.

Participaram dos debates diversas entidades que atuam no setor rural, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, a Anater – Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural e a Asbraer – Associação Brasileira das Emateres. Essa representatividade é importante para garantir uma pauta de trabalho que aponte questões de acordo com as atuais demandas, ambientes internos e externos da atividade, e condições da qualidade de vida no meio rural.

Nesse sentido, é preciso um novo olhar sobre conceitos que se tem da agricultura familiar, para reconhecer sua modernidade, eficiência produtiva e sobretudo as funções sociais que desempenha em nosso país. Não faz muito sentido uma “divisão” entre agricultura familiar e o chamado grande agronegócio. Tudo é agricultura, e suas forças se complementam. O agronegócio não-familiar ganha cada vez mais a admiração do mundo pela sua produtividade e tecnologias. E o agronegócio familiar tem sua evolução e avanços reconhecidos e sustentados em tecnologias, conhecimentos e assistência técnica, condições que garantem nossa segurança alimentar e a preservação de nossas culturas e tradições.

Como coordenador da Comissão de Agricultura Familiar na Câmara, nossa expectativa é de que desses debates e diálogos tenhamos condições para a construção e implementação de novas politicas públicas, programas e projetos que promovam a sustentabilidade e fortalecimento da nossa economia agrícola. E, com isso, a melhoria da qualidade de vida da população brasileira, nas cidades e no campo.

 

(*) Agrônomo, extensionista rural, deputado federal pelo Solidariedade/MG

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